O que você quer ser quando envelhecer?

Os idosos ocupam cada vez mais espaços e precisam de ações específicas pra eles. É fato. Mas que caminhos seguir para promover soluções frente aos desafios de um País que antes de se desenvolver enfrenta a ancianidade? O debate veio à tona durante o Simpósio de Envelhecimento Ativo, em São Paulo, no dia 10 de maio.

Com a proposta de ser realizado anualmente, o evento, em sua segunda edição, faz parte do programa Universidade Aberta à Terceira Idade (UnATI) da USP e é organizado pela Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária em conjunto com o Hospital Universitário.  “É um encontro fundamentado nos pilares do envelhecimento ativo que é participação, segurança, aprendizado contínuo e saúde, que tem se mostrado extremamente positivo”, diz o médico Egídio Dorea, coordenador da UnATI e responsável pela iniciativa.

Na avaliação de Dorea, trata-se de diálogo muito importante o papel do idoso no mercado de trabalho e como se recapacitar ao longo da vida. “A tecnologia é outro fator essencial no processo de envelhecimento”, destaca.

Foi abordada ainda a visão do envelhecimento na sociedade e a importância de se ter uma narrativa como propósito de vida, além da questão dos direitos – que deveriam ser universais e naturais – frente à heterogeneidade do ser humano.

Todos os blocos permitiram reflexões profundas sobre essa parcela da população e de quem lida e cuida dos mesmos, para quem a saúde de entes queridos sempre foi tema central das preocupações. Mas despertar para o fato de que vamos todos passar pelo mesmo processo é que são elas, como se diz.

O último capítulo

Você parou alguma vez para pensar como deseja envelhecer e como organizar o fim de seus dias? É uma questão que precisa deixar de ser adiada e o planejamento da morte não pode ser tido como tabu. Isso porque da mesma forma que a cultura da educação financeira tem ganhado espaço, precisamos nos educar  para nosso “Grand Finale”.

Finitude e outras questões como Cuidados Paliativos foram sensivelmente abordados pela neurocientista Sônia Maria Dozzi Brucki; a gerontóloga Ana Beatriz Galhardi Di Tommaso e a psicóloga Elaine Gomes dos Reis Alves. O trio deu uma boa dimensão sobre o assunto. E alertou para a importância de aceitar nossas limitações nesse processo.

Tocante saber que podemos com mudanças de hábitos ajudar a prevenir uma das doenças crônicas que é um dos maiores estigmas do envelhecimento: a demência. E que a desigualdade social se perpetua na parcela com menos estudo, que tem mais chance de ser acometida. “Estudos revelam que o processo é mais frequente em analfabetos”, diz Sônia.

Por isso, aprender coisas novas e manter o bom humor (sim, aquele alto astral) podem amenizar os riscos. O esporte é outro aliado e reduz em mais de 30% as chances.  “O comprometimento sensorial, como a perda visual e auditiva, faz com que as pessoas tenham mais chances de evoluir o quadro de perda cognitiva leve para a demência”, completa Sônia. Tratar isso também pode ser uma forma de prevenir.

Até quando paliar? 

Outro tema sensível e que demanda políticas públicas é o avanço e o acesso à medicina paliativa.  Vide o caso do cientista australiano David Goodall, de 104 anos, que viajou a Suíça e recorreu ao suicídio assistido, algo não permitido em seu país.  Leia aqui.

Ana Beatriz, que integra a equipe de Paliativos do Hospital Israelita Albert Einstein, explica porque é importante decidir até onde ir caso não se tenha mais voz ativa. “A distanásia existe e pode promover sofrimento desnecessário por decisão de familiares ou mesmo de profissionais”, explica.

O ideal, segundo a especialista, é a ortotanásia, quando se garante que todo o necessário foi feito para garantir a dignidade humana. “É uma área recente na medicina brasileira e há muito a ser aprendido, inclusive na área jurídica”.

A morte faz parte da vida

Encarar o processo de morte por um viés mais realista enquanto ainda se pode é muito importante. Aos 20 ou 30 temos dificuldade de nos imaginar aos 60 anos. Ou imaginamos que com essa idade teremos a mesma potência e vitalidade de sempre. Por isso, é interessante olhar para os nossos pais e avós com outro olhar.

“Pensar em como nossos velhos chegaram até aquela idade, suas limitações e dificuldades, é um exercício para chamar a atenção desse idealismo jovem”, diz o professor o professor Marco Aurelio Acosta, do Centro de Educação Física e Desportos da Universidade Federal de Santa Maria e um dos coordenadores do Núcleo Integrado de Estudos e Apoio à Terceira Idade (NIEATI).

Ele recomenda entrevistar qualquer pessoa com mais de 60 anos e contextualizar a conversa com as teorias aprendidas para desmitificar aquela figura caricata de velho.  Tradicionalmente, não se conhece muito bem as pessoas mesmo quando se convive com elas.  “É uma aula de humanidade”, recomenda.

Algo que pode ajudar na mudança de mentalidade do Brasil quanto ao idoso. Porque não é por lei que se muda um país, mas mudando pessoas.

 

3 comentários sobre “O que você quer ser quando envelhecer?

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