Viver é envelhecer!

“Viver é envelhecer, nada mais.” A frase é da escritora Simone de Beauvoir – ícone do pensamento filosófico e existencialista feminista.  A longevidade foi um dos temas recorrentes em sua obra. No livro A Velhice, publicado nos anos 1970, quando tinha 60 anos, ela tratou do assunto como algo não apenas biológico, mas cultural.  Naquela época já questionava o preconceito aos idosos.

Embora o ageismo  – termo criado pelo psiquiatra Robert Neil Butler mais ou menos na mesma época em que a obra de Simone chegou às prateleiras  –  ainda esteja enraizado na sociedade atual, o cenário muda aos poucos.  O prolongamento da vida com qualidade econômica, de saúde e psicológica é uma preocupação não só do governo como de cada pessoa, independentemente da fase da vida que atravessa.

Tecnologia é aliada 

E é sim possível encontrar soluções para promover mudanças significativas num Brasil pouco preparado para lidar com o envelhecimento. “A tecnologia é o caminho para ajudar a disseminar conhecimento nesse processo não somente para o público maduro como para seus cuidadores, sejam eles profissionais ou familiares”, diz Sérgio Duque Estrada,  representante e embaixador do Aging2.0  no Brasil.

Trata-se de uma organização mundial que apoia soluções inovadoras para o mercado da longevidade e encabeçou a Chamada de Negócios da Longevidade, que resultou no mapeamento inédito de um segmento que ainda engatinha por aqui.  “Ainda é um cenário embrionário, com poucas informações consolidadas sobre a população idosa para embasar os novos negócios”, diz Layla Vallias, diretora do Aging2.0 São Paulo e responsável pelo estudo.

Esse é um grande desafio para as empresas que estão se voltando para atender as necessidades dos chamados baby boomers. “O bom é que essa lacuna já foi percebida, e existe um movimento ativo no país para preenchê-la,” afirma a consultora.

Mapeamento das soluções

Essa primeira rodada de negócios, realizada em parceria com o Hype60+, consultoria de marketing especializada no público sênior, e a Ativen – Envelhecimento Ativo, mentoria e consultoria nacional focada exclusivamente em projetos destinados à terceira idade,  mapeou 141 iniciativas com soluções para o envelhecimento e mais de 80 negócios com tecnologias em saúde, bem estar, segurança, autonomia, moradia, geração de renda e lazer para atender às necessidades e desejos do público 60+.

Dessas, foram selecionadas três startups vencedoras e 10 finalistas, de acordo com os seguintes critérios: seguir os pilares do Aging2.0 (Cuidado, Engajamento & Propósito, Estilo de Vida, Gestão do Cuidado, Gestão Financeira, Mobilidade & Movimento, Saúde Mental e Fim da Vida); usar a tecnologia (TI) a favor da escabilidade; ser autossustentável em termos econômico-financeiros; e trazer soluções inéditas e disruptivas para o mercado local.  “A ideia é baratear as soluções para que se tornem acessíveis a todos e contribuir com o fim do ageismo”, completa Estrada.

As empresas selecionadas receberão mentorias de grandes nomes do ecossistema empreendedor e especialistas do segmento. Um mercado que, em menos de uma década, ganhou no Brasil 8,5 milhões de cidadãos acima dos 60 anos.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), essa parcela da população deve chegar a 38 milhões em 2027. O número crescente de adultos idosos no país faz parte de uma realidade mundial e com isso surge uma demanda cada vez maior por produtos e serviços adaptados às necessidades dos maduros.

Demograficamente a tendência de crescimento é praticamente irreversível.  “Somos hoje um país com aproximadamente 30 milhões de idosos. Não temos infraestrutura adequada, nem no setor público nem no privado. Oportunidades são perdidas todos os dias de melhorar as vidas de milhões de pessoas, e de criar possibilidades para nós mesmos no futuro”, avalia Estrada.

De acordo com os resultados da Chamada, o estado de São Paulo concentra 59% das empresas com foco na economia prateada. Minas Gerais apresenta 14%, Rio Grande do Sul aparece com 6%, Rio de Janeiro com 5%, assim como a Bahia também com 5%. O Nordeste ainda segue representado com os estados de Pernambuco e Ceará, 4% e 1%, respectivamente.

As empresas em geral são jovens, 73% possuem menos de 5 anos de existência, e 40% delas ainda não têm faturamento. A Internet das Coisas (14%), Big Data (9%) e Sensores (8%), são as três tecnologias mais utilizadas pelas startups com foco na longevidade.

Conheça as vencedoras da 1ª Chamada de Negócios

EuVô

Empresa prestadora de serviços de transporte com motoristas especialmente treinados e que oferece a opção de acompanhamento para as atividades e compromissos do dia a dia. Com isso a empresa contribui para uma melhor qualidade de vida, trazendo maior autonomia e combatendo o isolamento dos idosos.

Gero360

Startup de tecnologia que desenvolve soluções tanto para o segmento B2C quanto para o B2B.  No B2C o aplicativo visa organizar a rotina do idoso com autonomia, alertando-o para temas relevantes como horário de atividades, medicamentos, medições vitais, etc.), e ainda conectando-o com quem desejar (família, cuidadores e amigos). No B2B, a inovação fica por conta de sistema para gerenciamento de estoques de medicamentos de ILPIs e assemelhados.

ISGame

Escola de games com metodologia inovadora que ensina pessoas com mais de 50 anos a jogar e a programar os seus próprios games, estimulando o raciocínio lógico, memória, criatividade e Integração Intergeracional.

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